Quando a perda da sogra chega, sentimos um vazio profundo. A ausência dela impacta impacta…
Atendimento psicológico para crianças em luto: como ajudar de forma sensível e eficaz

O luto infantil representa um desafio delicado e profundo, envolvendo emoções intensas que as crianças muitas vezes não conseguem expressar em palavras.
Oferecer um atendimento psicológico especializado é fundamental para apoiar esse público único, proporcionando um espaço seguro para compreender seus sentimentos, desenvolver habilidades socioemocionais e promover a mediação familiar.
Cada criança experimenta o luto de maneira singular, influenciada por sua idade, maturidade emocional e contexto familiar, exigindo atendimento personalizado que respeite essas particularidades.
Principais conclusões
- A criança expressa o luto por meio de comportamento e linguagem simbólica.
- Fortalecer a resiliência emocional é essencial para o desenvolvimento saudável.
- O envolvimento da família é crucial para o suporte à criança.
- Técnicas lúdicas facilitam a comunicação e elaboração da perda.
- Intervenção precoce evita complicações psicológicas futuras.
- Pais e cuidadores devem manter rotina e diálogo aberto para acolher a criança.
Compreensão dos sentimentos da criança em luto
A criança em processo de luto pode manifestar uma variedade ampla de emoções: tristeza, raiva, medo, culpa e confusão, frequentemente de forma intercalada ou simultânea.
Diferentemente dos adultos, elas podem não ter repertório para verbalizar essas sensações e expressam-nas através do comportamento, como regressão a fases anteriores do desenvolvimento, irritabilidade, isolamento ou medo do abandono.
O psicólogo deve identificar esses sinais não verbais, utilizando escuta empática e ferramentas como a linguagem simbólica e lúdica para que a criança possa revelar, aos poucos, o que está sentindo no seu universo particular.
Desenvolvimento de habilidades socioemocionais essenciais
O processo terapêutico voltado para crianças enlutadas visa o fortalecimento da resiliência emocional.
Por meio de atividades que estimulam a expressão de sentimentos, a criatividade e a comunicação, a criança aprende a lidar com a dor, a aceitar a perda e a construir novas formas de vínculo com a memória do ente querido.
Esse desenvolvimento é crucial para evitar consequências futuras, como adoecimento mental, dificuldades de relacionamento e baixa autoestima, favorecendo o equilíbrio emocional a longo prazo.
Mediação e suporte no núcleo familiar
O luto infantil se articula diretamente com a dinâmica familiar.
É comum que familiares também estejam enlutados e, muitas vezes, emocionalmente indisponíveis para oferecer suporte pleno.
O psicólogo atua como mediador para facilitar diálogos entre a criança e seus cuidadores.
Em sessões conjuntas ou orientações específicas para pais e responsáveis, são abordadas as melhores formas de acolhimento, comunicação aberta e consistência emocional, aspectos que contribuem para um ambiente mais estável e seguro durante a crise.
Linguagem lúdica: um canal de comunicação eficaz
Recorrer à ludoterapia, desenhos, jogos e narrativas simbólicas cria pontes para que a criança entenda e externalize seus sentimentos.
A ludicidade torna acessível a expressão emocional, permitindo que temas difíceis circularem de forma mais leve e menos ameaçadora.
Além disso, essas técnicas auxiliam na construção do sentido da perda, na elaboração de memórias e na reintegração da criança na sua rotina e relações sociais.
Apoio em casos complexos de luto infantil
Algumas crianças enfrentam perdas traumáticas ou múltiplas, o que requer intervenções multidisciplinares e acompanhamento contínuo.
Nesses casos, o psicólogo deve estar atento a sinais de complicações como depressão, ansiedade persistente, transtornos do sono ou comportamentais.
A intervenção pode envolver estratégias específicas, como terapia cognitivo-comportamental, terapia familiar, e, eventualmente, encaminhamentos para outras especialidades na área da saúde mental.
Quando a criança em luto precisa de ajuda psicológica?
Nem todas as crianças precisam de acompanhamento profissional imediato; muitas se adaptam com apoio familiar.
Contudo, sinais de dificuldades prolongadas, como isolamento social, comportamentos agressivos, regressão severa, dificuldades escolares e tristeza constante indicam a importância de buscar ajuda especializada.
Além disso, crianças que vivenciaram perdas traumáticas ou que pertencem a famílias fragilizadas emocionalmente exigem atenção reforçada.
Como o psicólogo deve agir em um momento de luto infantil?
O profissional deve criar um ambiente acolhedor e livre de julgamentos.
Sua postura empática e paciente favorece a confiança da criança, essencial para que ela se sinta segura para se expressar.
É importante respeitar o tempo da criança, evitando pressa para “curar” a dor.
A escuta ativa, combinada com intervenções terapêuticas adaptadas à faixa etária, garante que o processo de luto seja vivenciado e elaborado de forma saudável.
Dicas práticas para pais e cuidadores
Os cuidadores desempenham papel fundamental na recuperação emocional da criança enlutada.
Recomenda-se manter uma rotina estável, dialogar com sinceridade, validar os sentimentos sem minimizar a dor, incentivar a expressão artística e buscar apoio profissional quando necessário.
Também é importante cuidar da própria saúde emocional da família, para que o acolhimento seja consistente.
Mais informações: https://www2.ufjf.br/noticias/2025/03/12/cuidando-da-dor-invisivel-hospital-universitario-oferece-suporte-para-criancas-em-luto/
Referências bibliográficas
- Worden, J. W. (2009). Grief Counseling and Grief Therapy: A Handbook for the Mental Health Practitioner. Springer Publishing Company.
- Corr, C. A., & Balk, D. E. (Eds.). (2010). Children's Encounters with Death, Bereavement, and Coping. Springer Publishing Company.
- Fonagy, P., & Allison, E. (2014). The Role of Mentalization in the Therapeutic Process. Clinical Child Psychology and Psychiatry.
- Ministério da Saúde. (2018). Atenção ao Luto na Infância e Adolescência: Diretrizes para o Cuidado Integral.
Em Luto e saudade temos diversos artigos sobre este tema.




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